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sábado, 13 de agosto de 2011

Anvisa aprova parceria com INCQS para excluir animais de pesquisas




Os diretores da Anvisa aprovaram a proposta de instituir uma cooperação com o Centro Brasileiro de Validação de Métodos Alternativos (Bracvam), ligado ao Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS-Fiocruz). A decisão foi tomada na tarde desta terça-feira (9/8), durante a reunião da Diretoria Colegiada.
O Bracvam é o primeiro centro da América do Sul a desenvolver métodos alternativos de validação de pesquisa que não utilizam animais na fase de testes. Muitos países já proíbem a produção e a importação de produtos desenvolvidos com testes em cobaias.
A União Europeia, desde 2004, rejeita a prática de utilizar cobaias em linhas de desenvolvimento de artigos direcionados ao mercado da beleza. Preocupados com essa tendência, algumas indústrias no Brasil têm investimentos para abolir teste com animais na produção de cosméticos.
Ao lado da questão ética do sofrimento das cobaias, as pesquisas que utilizam animais são vistas como menos refinadas do ponto de vista técnico científico, como explicou a diretora de Ensino do INCQS, Isabella Delgado, durante sua exposição sobre o Bracvam na Anvisa.
“Buscamos mais avanço técnico, resultados mais confiáveis, menos susceptíveis a erros, de menor custo e de mais fácil difusão em outros países”, disse Isabella Delgado. “Encontramos 14 pesquisas de métodos alternativos no país e nossa ideia é reunirmos essa expertise, pesquisarmos juntos”.
Segundo Eduardo Leal, diretor do INCQS, universidades públicas brasileiras e centros de produção de vacinas, como o Instituto Butantan e o Adolph Lutz, têm estudos para validação de métodos alternativos. “Com a Anvisa, vamos aproximar essa metodologia da regulação de produtos”.
A diretoria da Anvisa se comprometeu a levar ao INCQS a proposta de formação de um comitê gestor na Agência para este projeto de cooperação ser implementado com o Bracvam no próximo mês de setembro.
A agenda está marcada para a manhã do próximo dia 13 de setembro, na sede do INCQS, quando a reunião pública da Diretoria Colegiada da Anvisa será realizada na sede do Instituto, no Rio de Janeiro.
A transferência da Dicol pública para o INCQS é uma homenagem prestada pela Agência aos 30 anos de existência do Instituto, comemorados com uma semana de atividades, entre os dias 12 e 16 de setembro.
Fonte: Portal Anvisa


Cientista cria alternativa para o uso de animais no teste de medicamentos


Pesquisadores britânicos desenvolveram uma nova forma para testar as qualidades de candidatos a medicamentos em laboratório que poderá substituir a prática atual de utilização de tecido animal. Inúmeros grupos de pesquisas ao redor do mundo estão trabalhando em formas de evitar o uso de animais em pesquisas científicas.
Recentemente, um comitê de cientistas também da Grã-Bretanha divulgou um relatório com sérias preocupações éticas sobre as pesquisas com animais, sobretudo com a possibilidade de criação de animais híbridos com células humanas.



Hidrogel que imita mucosa
O grupo do Dr. Vitaliy Khutoryanskiy, da Universidade de Reading, criou um tecido sintético, um hidrogel, que imita as propriedades dos tecidos das mucosas, como as encontradas na boca e no estômago. Mucosas retiradas de animais são normalmente usadas na fase de desenvolvimento de novos medicamentos, para avaliar como a droga vai reagir no corpo.
Normalmente, comprimidos são administrados por via oral aos pacientes para o tratamento de várias doenças. Essas drogas passam através do sistema digestivo do paciente, que quebra a droga em seus componentes constituintes e despacha o resto do composto para fora do corpo.
Consequentemente, apenas uma pequena porcentagem do medicamento entra efetivamente no sistema circulatório do paciente, limitando a eficácia da droga e forçando o uso de doses mais elevados do componente ativo.
Comprimidos adesivos
Uma alternativa são comprimidos capazes de grudar no tecido da mucosa. Isso aumenta a absorção das drogas e o tempo que elas permanecem no corpo, reduzindo a frequência de administração, além de oferecer a possibilidade de atingir locais específicos do corpo.
Condições comumente tratadas por drogas mucoadesivas incluem a angina e doenças inflamatórias.
Alternativa ao uso de animais
É por isso que os cientistas precisam das mucosas, valendo-se das mucosas de animais sacrificados. Se isto é sempre ruim para as cobaias, também nem sempre dá os melhores resultados para os humanos. ”A utilização de tecidos animais em experimentos de adesão nem sempre produz os melhores resultados devido às suas propriedades variáveis,” explica o Dr. Khutoryanskiy.
Isso significa que a comparação entre diferentes candidatos a medicamentos tem um alto grau de incerteza, devido à variação das mucosas coletadas dos diversos animais. ”Os novos hidrogéis sintéticos imitam os tecidos da mucosa suína que usamos em nossos estudos melhor do que qualquer outro material que testamos, e poderia ser uma alternativa real ao uso do material animal para testar as propriedades mucoadesivas de medicamentos no futuro,” conclui ele.
Fonte: Diário da Sáude